terça-feira, 22 de dezembro de 2009


Vestibular



Mesa, pesa, avalia, descarta.

É do humano a saga.

Peremptória projeção em escala,

Do próprio egoísmo que faz da vida uma batalha.

Avalia em número a vontade.

Em competência a idade.

Para a vala comum com os submédia.

Viva o velho decoreba.

Importa a discrepância positiva.

O rei das cinco alternativas.

Será um bom profissional, sim.

- Ei, em qual parte faço a incisão?

Vixi, não sei. Pula para a próxima questão.

E agora? Compro ou vendo a ação?

Ferrou, já tentou por eliminação?

sábado, 19 de dezembro de 2009

Brinde à condição humana


Eu e mais P(r)o(bl)emas

Ao sermos expelidos do oco materno
A cada fungada a morte se faz mais perto
O que nos deu a vida, agora nos mata.
Já apedreja aquela que outrora afagava.

Nasce-se e já se é corrompido
Violenta os pulmões o ar pervertido
Que eiva a natureza humana de maldade
Tornando-nos monstros desde a tenra idade

A vida, este apodrecimento autopoiético
Mostra ser ente vil crasso e patético
Tem a ilusão de dádiva divina
Mas verdade é do outro lado comédia fina.

E para os que me chamam insensível
Por não inebriado de encanto holográfico,
Peço que olhem para o invisível
E percebam quão miserável é o mundo fático.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

V.I.D.A.


A V.I.D.A.


A vida é o anjo de asas tortas que escolta o humano.

Inconstante, rebelde, instável a todo instante.

Gira, muda e intepestiva.

Faz de uma biografia a surpresa.

No indefinido oculta a beleza

Que acontece como o amor,

não se mede, só se sente.

domingo, 25 de outubro de 2009

Contemporaneidade




Em tempos de modernidade, onde já chegamos além-lua e perfuramos quase até o centro da Terra, o ser humano se perde nas regiões abissais da própria existência. É capaz de mesmo cercado de gente ficar isolado, sem ninguém. Em um reduto onde o amor já não existe, e os sentimentos duram até o borrar da maquiagem.
Perdemos a capacidade de sentir. Fomos corrompidos pelas frivolidades da nossa alma e buscamos, durante nossa finitude, um bem que não existe e talvez nunca existiu.
O que há quando se vence? Qual é o sentido da vitória neste mundo? Vale a pena conduzir uma vida para o vazio?
Flertamos perigosamente com o suicídio existencial do desfiladeiro do tempo. Ocorre um conflito entre a vontade latente de viver - livre dos impedimentos sociais - e as possibilidades que se apresentam como um abismo diante de nossos olhos.
As amarras da sociedade contemporânea petrificam nosso espírito e resultam em um aterro cultural sem precedentes, que emana seu cheiro de podridão humana seja além-lua ou nas profundezas da Terra.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A importância que dura o tempo da manchete



O texto de fato é cumprido e não posso dizer que valha a pena ler, mas quem não tiver nada melhor para fazer, fique à vontade.
É muito comum em uma sala de espera qualquer nos deparamos com aquelas revistas já ultrapassadas, seja pela data ou pela futilidade dos seus assuntos, ou edições de jornais antigas, que faz com que somente se realmente o tédio for muito grande nós nos interessemos por lê-los.
É um processo natural, até mesmo pelo senso comum se percebe a constante reapresentação do mundo - veja bem que eu não utilizei renovação, apenas reapresentação, porque as ditas atualidades nada mais são do que formas diferenciadas da apresentação de eventos passados.
Assistimos as mesmas novelas há muito. As histórias de forma genérica são as mesmas. Existe alguém que tem um comportamento contra uma teórica moral existente, o que faz desse personagem o vilão. Do outro lado encontra-se um ator com espaço garantido na capa da G magazine ou que simplesmente pela fragilidade do personagem ganha a simpatia do povo, temos então o mocinho. Para a perpetuação da perspectiva maniqueísta o bem vence o mal e pronto, vamos ao muito mais do mesmo, assistindo a próxima novela dos mesmos escritores. Não digo que seja mal deles, se os autores experimentassem fazer diferente simplesmente perderiam o emprego.
O Big Brother Brasil, aquele reality show de roteiro determinado, está abrindo inscrição para os interessados em participarem da sua 10ª edição. Enquanto isso a Globo oferece o No Limite, para concorrer com a Record coma suas vacas leiteiras na Fazenda. Ou seja, não importa quanto de lixo seja dado, importa que ele seja novo.
Assim também acontece fora do campo de entretenimento. As notícias que os meios de comunicação fornecem em larga escala seguem a mesma linha.
Com pouco esforço nos recordaremos do auge da crise financeira mundial, que chegou a se discutir se não seria esta maior que a ocorrida em 1929 que realçou a força do socialismo soviético, mudou a economia do Brasil e fez com que os EUA retirassem parte de seu capital da Europa favorecendo a formação dos blocos econômicos europeus que culminariam na União Européia contemporânea. Portanto, se a discussão girava em torno de comparar as conseqüências da atual crise com a 1929 que afetou o mundo drasticamente, não estaríamos tratando de qualquer notícia.
Mas com a repetição maciça da mesma abordagem superficial, as origens da crise nem chegaram a ser mencionadas. Mal se falou que, quando presidente, Ronald Reagan tornou dispensável o lastro para as atividades bancárias para favorecer a implantação do neoliberalismo político, o que foi o embrião do subprime.
O não aprofundamento da discussão saturou o cérebro já liquefeito da grande massa, o que demandou uma mudança de matéria.
Crise!? Chega de crise! Vamos falar da nova gripe que está surgindo na fronteira dos Estados Unidos com o México e já matou quase 5 mariachis.
O povo aterrorizado pelos meios de comunicação compra, simplesmente compra. Seja máscara, seja Tamiflu, benegripe, zinco, e principalmente álcool, muito álcool. Juntan-se os boatos: “estão lacrando caixões no Hospital que atende pelo SUS” ou “ os médicos do outro hospital estão se recusando a atender os pacientes, diz que 3 doutores já morreram”. Pois é, coisa séria. O vírus existe, mas o quanto ele realmente é letal e o quanto nos preocupamos com ele são grandezas completamente desproporcionais.
No meio da nossa cruzada contra os moinhos de ventos suínos, no deparamos com a morte do rei do consumismo pop. Sim, a maior crise financeira do mundo continua, o vírus suíno ainda existe, mas façamos um minuto de silêncio para chorar a morte de um cara estranho daqueles que não arranjam lugar no corpo onde Deus lhe encarnou. Paramos para ver a morte de um produto fabricado pela mídia. O cara dançava bem, mas a morte de um bailarino em meio a tantos assuntos importantes não mereceria mais que uma mera menção.
Depois de tudo isso, :O, que espanto! Temos os assuntos nacionais. Quase havíamos esquecido deles durante o recesso do congresso. Era tanto descaso que o Sarney nem precisaria fazer suas maracutaias pelos atos secretos. Todos os parlamentares de férias enquanto todo mundo preocupado com quem iria ficar a guarda dos filhos do Michael Jackson, esperto o pai dele, que aproveitou a atenção para divulgar a sua nova gravadora e tentar fazer um novo grupo com os filhos de MJ.
Mas crises sempre tivemos - e a solução delas se dá sempre pelo estrito interesse, afinal dinheiro sempre é uma prioridade, pelo menos para quem o tem. Da mesma forma com as doenças e os deslizes políticos. Pão e circo é utilizado possivelmente mesmo antes dos romanos, hoje só mudou para bolsa família e televisão. O que muda nisso tudo é o corte de cabelo da Fátima Bernardes e forma que são apresentadas às massas, de resto somos a mesma humanidade dos nossos tempos de animais.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Meu espaço


A busca de um espaço próprio deve ser do ser humano desde os tempos em que ele era só um animal e não fazia uso da razão para cumprir seus interesses. Reconhecendo a condição animalesca ainda presente na nossa contemporaneidade e fazendo uso da ironia de ter um espaço em um mundo virtual cada vez maior é que eu criei esse blog. Quero apenas escrever, se alguém ler tanto faz, mas não por isso algum eventual curioso que apareça deixará de ser bem-vindo.