domingo, 7 de agosto de 2011

Poente




Um sonho tardio

É como um ipê no outono

Que desperta do sono

Quando o tempo é hostil.



É uma brisa no ardil

Com o sol a pino,

Tarda o desatino

Do árduo veranil.



Uma quebra no marasmo

Que sacode o cansaço

Desfaz o embaraço

Até o derradeiro espasmo



Ilusões de baixa tarde

À luz da penumbra

Traçadas em linhas rubras

Só esperança, sem verdade.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Advogados



Advogados,
defensores do surrado gado,
doutores da lei e da ordem,
abutres vorazes do post-mortem.
Ensimesmados em suas bravatas,
Cérebro do tamanho do nó da gravata:
-Eu já tenho minha Mont Blanc.
O povo!? Que coma Croissant!
Sou advogado matreiro.
Quero apenas arrancar seu dinheiro.
Pouco importa a injustiça,
Afinal, dever cumprido não sustenta cobiça.
Tudo depende do fundo bancário.
Quer direitos? Pague os honorários.

Consolo






Se da minha existência eu não deixar pistas,
não restar para contar quaisquer vitórias,
é porque preferi as ruínas das grandes glórias
ao sucesso das médias conquistas.