quarta-feira, 28 de julho de 2010

Roda mundo


Roda com voracidade o pistão,
Acelera a rotina a combustão,
O gemido do motor é agora,
Grito da vida jogada fora.
Preso por grades invisíveis,
O homem comete um crime,
Mata sem ver a vida inteira
Numa sina cega e rotineira
Vaga sem rumo e sem norte,
Sendo escravo da própria sorte.
Animal explorado pelo igual
Subalterno domado pela moral
É a pirâmide sustentada pelo pobre
Enquanto o rico tem sua paz no cofre
Muda-se de escravo para proletário
O cidadão não é mais que um otário.
Na lógica da nova e velha servidão,
Nesse giro rotineiro e sem direção.

domingo, 11 de julho de 2010

Quanto mais culpado melhor o advogado.


Negociação de advogado

Vou direto ao assunto,
aliás, deste gosto muito,
falemos sobre o contrato
depois iremos aos fatos
...isso... com tudo assinado,
passemos então ao primeiro ato...
Ou melhor, nem conte nada
a petição já está armada
salva ali, com o estagiário,
É pra isso que pago o otário.
Mas um dia ele se dá bem,
Também explorará alguém.
E o ciclo se renova,
o velho que o novo aprova
Mas diga lá, tens empresa!?
Oh, que grata surpresa,
sempre digo: livre concorrência
É a pura decência.
Lutaremos até o fim pela causa
se neste fim eu embarcar para pausa,
sugar fluidos sociais cansa,
o paladar já não tolera a ransa.
Mas tudo bem no pós-combate
se navegar eu em meu novo iate
que importa se do leme ao mastro
exista um longo e frio rastro.
Das marcas que deixo por opção
do sangue com que sujei a mão?