
Roda com voracidade o pistão,
Acelera a rotina a combustão,
O gemido do motor é agora,
Grito da vida jogada fora.
Preso por grades invisíveis,
O homem comete um crime,
Mata sem ver a vida inteira
Numa sina cega e rotineira
Vaga sem rumo e sem norte,
Sendo escravo da própria sorte.
Animal explorado pelo igual
Subalterno domado pela moral
É a pirâmide sustentada pelo pobre
Enquanto o rico tem sua paz no cofre
Muda-se de escravo para proletário
O cidadão não é mais que um otário.
Na lógica da nova e velha servidão,
Nesse giro rotineiro e sem direção.
