domingo, 25 de outubro de 2009

Contemporaneidade




Em tempos de modernidade, onde já chegamos além-lua e perfuramos quase até o centro da Terra, o ser humano se perde nas regiões abissais da própria existência. É capaz de mesmo cercado de gente ficar isolado, sem ninguém. Em um reduto onde o amor já não existe, e os sentimentos duram até o borrar da maquiagem.
Perdemos a capacidade de sentir. Fomos corrompidos pelas frivolidades da nossa alma e buscamos, durante nossa finitude, um bem que não existe e talvez nunca existiu.
O que há quando se vence? Qual é o sentido da vitória neste mundo? Vale a pena conduzir uma vida para o vazio?
Flertamos perigosamente com o suicídio existencial do desfiladeiro do tempo. Ocorre um conflito entre a vontade latente de viver - livre dos impedimentos sociais - e as possibilidades que se apresentam como um abismo diante de nossos olhos.
As amarras da sociedade contemporânea petrificam nosso espírito e resultam em um aterro cultural sem precedentes, que emana seu cheiro de podridão humana seja além-lua ou nas profundezas da Terra.