sábado, 16 de janeiro de 2010

Fazedor de paz



A paz armada vem disfarçada, sustentada pelo estampido grotesco de um disparo.

À Paz Armada

Se há guerra porque o homem não presta,
a paz vem e firmemente atesta:
não existe jeito,
existe aprenas o ódio no peito.

A paz é a nossa missão
está escondida, bem ali, no batalhão.
Flecha do culpido cilíndrica ou esférica,
disseminada pelo mundo pela dança bélica.

É o velho Human way,
seja na faca ou seja na lei,
paz armada até os dentes
que fuzila, metralha e dilacera gente.

Preceitos predatórios do poder
querem matar, querem fazer morrer.
Todos levam ao mesmo final,
a boa e velha pá de cal.

Pois se a guerra com arma se faz,
a arma não é mais
que o instrumento da própria paz.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

TRAGÉDIA NO HAITI




Como muitas coisas não são certas no mundo começo a escrever esse post já com o título errado. Afinal, a tragédia não aconteceu no Haiti. Foi um terremoto, evento natural, como a chuva ou um dia ensolarado. A tragédia aconteceu fora do Haiti. Não me refiro a magnâmica caridade da injustiçada Zilda Arns que junto com Oswaldo Cruz, Machado de Assis e outros brasileiros que foram indicados ao prêmio Nobel mas não conseguiram ser bons o suficientes para aqueles narizes naturalmente enojados da aristocracia Sueca. Talvez porque ela não tenha enviado soldados para destruir país algum como o Obama. Refiro-me aos crápulas governantes de seus países ditos desenvolvidos. Conforme a Folha de São Paulo diante aos estimados 3 milhões de atingidos, conforme dados da Cruz Vermelha, o presidente Ban Ki-moon já liberou, pasmem, US$ 10 milhões do fundo específico da ONU para grandes catástrofes. Ainda bem, porque temia que os pobres haitianos ficassem sem assistência. Para se ter uma idéia da miséria em escala que é isso, é o suficiente para manter a legislatura (4 anos) de 2 deputados federais do Brasil.
Mas a ajuda não parou aí, afinal a comunidade internacional, principalmente a do lado de cima da linha do Equador é sempre muito generosa (só se for com a chicote), a Itália prometeu 1 milhão de euros. O poderoso chefão do Berlusconi deve estar de sacanagem, só a plástica e o repouso dele depois do atentado da estátua deve ter saído metade disso.
Tem mais ainda. A Espanha enviará três aviões com materiais de emergência. Imagino os sobreviventes vivendo da fuselagem de um avião de carga. E o Zapatero, como chefe da missão humanitária do Haiti, ainda mexeu os pausinhos e conseguiu extorquir 3 milhões de euros da comissão européia, o maior bloco econômico do mundo. Acho que dessa vez conseguiu o lugar no céu.
Nosso prêmio Nobel, enviou...enviou...enviou... tropas para o Afeganistão, claro. Cerca de 30 bilhões de dólares no ano de 2010 é o custo dessa brincadeira, que eleva para quase 100000 o número de soldados por lá. Coincidentemente o número da estimativa de mortos no Haiti. Justificou o prêmio, parabéns. Acho que se orangotangos compusessem a comissão da academia que escolhe o Nobel não fariam tanta coisa errada.
Na verdade no que tange ao Haiti, aquela reserva de mercado de consumo ainda semi-explorada pelas multinacionais estadunidenses, ele já providenciou que fosse sobrevoado a região para fazer um levantamento dos estragos e se as belezinhas de guerra deles podem pisar naquele solo amaldiçoado, Afinal, o diabo só aparece onde lhe é propício. E nada melhor que enquanto se está soterrado imaginar a flautinha doce soando o hino da liberdade da América.
Um dia depois do terremoto o símbolo da paz no Ocidente liberou 100 milhões de dólares para o Haiti. Ou seja, no fim de tudo, o Nobel da paz gasta 300 vezes mais em guerra do que na conservação de vidas.